Ele lê mas não entende …
18 04 2008
Quanto vi a temática desta blogagem coletiva, a primeira coisa que me veio a cabeça foi falar do analfabetismo funcional.
Eu compreendo bem isso pois quando estava no atendimento aqui na biblioteca, podíamos perceber claramente a dificuldade das pessoas em procurar um assunto no sumário, entender onde começa e termina um texto e conseguir montar seu trabalho sem um mínimo de orientação. A maioria ficava completamente perdida e não sabia nem o que estava copiando. Isto é, quando copiava. O que eles queriam mesmo era tirar xerox e ir embora correndo. Não adiantava nada falar para lerem o texto e verificar se era isso mesmo que estavam precisando …
……….
Analfabeto funcional é a denominação dada à pessoa que mesmo tendo aprendido a decodificar minimamente a escrita, geralmente frases curtas, não desenvolve a habilidade de interpretação de textos. Não se trata de pessoas que nunca foram à escola. Elas sabem ler, escrever e contar mas não conseguem compreender a palavra escrita. Lêem mas não compreendem o que estão lendo. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair o sentido das palavras, colocar idéias no papel por meio da escrita, nem fazer operações matemáticas mais elaboradas.
Analfabeto funcional pode ser definido também como o individuo maior de quinze anos e que possui escolaridade inferior a quatro anos.
Veja este quadro existente no site do Instituto Paulo Montenegro:
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Habilidades leitura/escrita (letramento) |
Habilidades matemáticas (numeramento) |
| Alfabeto | Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem decodificação de palavras e frases. | Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas elementares com números, como ler o preço de um produto ou anotar um número de telefone. |
| Rudimentar | Correponde à capacidade de localizar informações explícitas em textos curtos, um anúncio ou pequena carta. | Corresponde à capacidade de ler números em contextos específicos como preço, horário, números de telefone etc. |
| Básico | Corresponde à capacidade de localizar informações em textos um pouco extensos, podendo realizar pequenas inferências. | Corresponde à capacidade de ler números, resolver problemas simples envolvendosoma, subtração e multiplicação, ou mesmo a identificação de relações de proporcionalidade, ainda que recorrendo eventualmente à calculadora. |
| Pleno | Correponde à capacidade de ler textos longos, orientando-se por subtítulos,localizando mais de uma informação, de acordo com condições estabelecidas, relacionando partes de um texto, comparando dois textos, realizando inferências e sínteses. | Corresponde à capacidade de controlar uma estratégia na resolução de problemas mais complexos, que exigem a elaboração e a execução de uma série de operações relacionadas entre si, apresentando, ainda, familiaridades com mapas e gráficos e outras representações matemáticas de um social freqüente |
Segundo dados recentes (Instituto Paulo Montenegro), no Brasil o analfabetismo funcional atinge cerca de 75% da população, ou seja, somente 25% da população é alfabetizada plenamente. Isso se deve à baixa qualidade dos sistemas de ensino (tanto público, quanto privado), ao baixo salário dos professores, à falta de infra-estrutura das instituições de ensino e à falta do hábito da leitura do brasileiro, ou até mesmo a falta de vontade do mesmo.
Em alguns países desenvolvidos esse índice é inferior a 10% (Suécia, por exemplo).
Alfabetizar mais crianças com melhor qualidade. Essa é a questão: qualidade e não quantidade. Se os alunos não forem incentivados à leitura, a atividades que trabalhem com inteligência, pensamento lógico e capacidade de relacionar temas diferentes, nenhum esforço do governo será válido.
Também não devemos nos esquecer dos professores. Melhoria nos cursos de formação dos docentes, remuneração adequada, capacitação continuada, etc. Dá trabalho, é verdade, mas o investimento na qualidade da educação é a única forma capaz de reverter esse quadro educacional brasileiro tão triste …


[...] Elvira [...]
Elvi, estou aprendendo tanto com esta blogagem que vc nao pode acreditar.
Eu por exemplo nao conhecia o termo analfabetismo funcional..
Obrigada pela participaçao.
Um beijo,
Meire
perfeito este teu texto
bom fim de semana
Puxa, seu texto é o tipo de coisa que gosto de falar.
Falo e repito mil vezes. Enquanto as pessoas fugirem dos livros, jamais poderão se dizer alfabetizados.
A falta de leitura, acarreta em falar mal, escrever pior, e ler então, impossível ler alguns parágrafos.
Acredito que o analfabetismo funcional seja o pior deles. É apena um paliativo, ou seja, como eles dizem, é “passar um pano”.
Temos professores que sabem pouco, pois tiveram uma péssima formação, por conseguinte, ninguém pode dar o que não te, logo, não irá ensinar ninguém.
Ainda acho que o incentivo à leitura é o caminho.
Um beijo
tem a ver com a falta de estímulo. como a informação e a cultura não são estimuladas, quando se dá o aprendizado fraco, não conseguem manter o interesse. e muitas vezes as professoras não são hábeis o suficiente para estimular a curiosidade. beijos, pedrita
Elvira,
Para acabar com o analfabetismo funcional só conheço um modo: alfabetizar e incentivar à leitura (quem aprendeu a ler deve exercitar e ler, ler e ler muito).
Parabéns por abraçar essa causa… ótimo post.
Belíssimo texto. Parabéns!!!
Realmente as pessoas têm dificuldade para conseguirem interpretar o que está lendo. Falta de costume de ler e escrever agravam a situação.
Beijos!!!
Precisa mesmo comentar o absurdo no qual se resume o analfabetismo atual???
=D
Elvira, consegui chegar até aqui, rs.
Eu nao tinha ouvido falar do analfabetismo funcional até que fui pesquisar sobre a blogagem. É vivendo fora já há tantos anos, a gente perde essas linguagens.
Gostei muito do seu texto, a forma como você colocou cada coisa.
Ler livros é fundamental, conhecer os autores, conhecer o texto e o contexto.
Muito obrigada pela sua participacao. Pelo seu apoio, pelo seu texto belissimo.
Valeu.
Grande abarco
seu blog sobre o analfabetisto foi show! O meu foi simpleszinho,até porque é um assunto que me doi na alma…
Passando rapidinho pra te deixar um carinho e dizer que adoro quando você passa no meu cantinho, é sempre um prazer ler seus comentarios.
Olá minha querida!
Parece que usamos o mesmo site como fonte de consulta né?
Um abraço!
Realmente é necessaria uma educaçao de qualidade….
Abraços,
Gi, ROMA
Elvira que belo post
Tenho inúmeros alunos que lêem mas, não entendem. E os mais grave colegas professores também com esse tipo de dificuldade….È preciso investir em educação sim. Melhores condições de trabalho, capacitações permanentes e aumento de salario. beijos. Adorei o post
Ah, dias desses 03 colegas professores perguntaram-me se Carpe Diem era uma Marca de Roupa/perfume. Porque eu tinha uma tatuagem de uma marca no corpo…. aiaiai…Beijos e ótima semana
Noto isso nos jovens de hoje. Tiram informação da net,mas não sabem trabalhar nela.
Beijocas